Setembro amarelo

Autoridades se reúnem para debater o fim da violência contra as mulheres

Centenas de pessoas participaram na tarde desta sexta-feira, 9, do Seminário pelo Fim da Violência contra as Mulheres, promovido pela Rede Gazeta, Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES) e Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES). A vice-reitora da Ufes, Ethel Maciel, foi uma das palestrantes da tarde, abordando as lutas e os direitos conquistados pela mulher ao longo da história, os desafios atuais e a importância da discussão sobre a igualdade de gênero nas escolas.

A diretora de Transformação da Rede Gazeta, Letícia Lindenberg, abriu o seminário afirmando que todos os veículos da rede estão pautados para abordar o tema da violência contra a mulher, a fim de contribuir para fomentar o debate em torno do problema.

“O poder que um veículo de comunicação tem é muito forte e acreditamos que a Rede Gazeta pode ajudar neste debate, levando o tema para discussão inclusive dentro das comunidades e envolvendo o nosso projeto Gazeta Lab”, destacou. O Gazeta Lab é uma iniciativa que visa promover maior interação entre o mercado e as instituições acadêmicas para o desenvolvimento de projetos inovadores.

A vice-reitora Ethel Maciel (na foto, a primeira da esquerda para a direita) iniciou as apresentações com um resgate histórico de como as mulheres eram tratadas pela sociedade desde o período medieval. “As mulheres que não obedeciam às regras eram consideradas bruxas na época medieval. Depois eram consideradas loucas, internadas em hospícios”, lembrou.  

Ethel citou mulheres que marcaram a história por romper com padrões pré-estabelecidos e lutar por seus direitos, como a francesa Olympe de Gouges, que redigiu A Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã e morreu guilhotinada em 1793; a enfermeira Margaret Sanger, que abriu o primeiro centro de planejamento de natalidade dos Estados Unidos; Emily Hobhouse, enfermeira britânica conhecida pela campanha ativa contra os campos de concentração britânicos; e, mais recentemente, as escritoras e ativistas Simone de Beauvoir e Betty Friedan.

Descriminalização do aborto

A vice-reitora lembrou ainda que o Brasil faz parte dos 13% de todos os países que ainda tutelam o corpo da mulher, e destacou a importância de discutir a descriminalização do aborto.

“Precisamos falar sobre a vida e a morte das mulheres. É urgente a desregulação do corpo da mulher pelo Estado e é urgente promovermos a discussão sobre gênero nas escolas. São 850 mil mulheres que realizam aborto no Brasil por ano. A lei de criminalização de aborto é cruel contra a mulher e pune as mulheres pobres, porque as ricas podem até viajar e procurar um país onde o aborto é legalizado, mas as pobres não”. 

Ethel destacou ainda que, neste processo de conscientização sobre os direitos das mulheres, o papel da mídia é fundamental, tanto na divulgação de informações, quebrando estereótipos e preconceitos, quanto proporcionando maior presença de mulheres atuando nos meios de comunicação.

Preconceito

Também participaram do seminário o secretário estadual de Segurança Pública, André Garcia; a promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher (Nevid) do Ministério Público, Claudia Garcia; a juíza de Direito e coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comvides), Hermínia Azoury; a subsecretária estadual de Políticas para Mulheres, Helena Pacheco Moraes; o professor do mestrado profissional de Segurança Pública da Universidade Vila Velha (UVV), Pablo Lira; entre outras autoridades.

O secretário André Garcia destacou que é preciso “chacoalhar as pessoas”: “O feminicidio é um crime de preconceito na essência. É uma violência seletiva e covarde, porque o sujeito cresce achando que tem o direito de mandar na mulher. E o final é sempre marcado pela violência. Temos que chacoalhar as pessoas. Temos que levar essa discussão para casa, para o ambiente de trabalho”.

Ele disse ainda que o Governo do Estado está empenhado em diminuir os índices de violência contra a mulher no Espírito Santo por meio de várias iniciativas, como a atuação das polícias, a criação de uma casa para abrigar mulheres vítimas e por meio de um Centro de Referência em Direitos Humanos. “Mas, se não mudarmos as cabeças das pessoas, nada vai mudar”, ponderou.

Segundo dados apresentados pelo professor Pablo Lira, 4.657 mulheres assassinadas em 2016. No mesmo ano, 49.497 estupros foram registrados. Ele apontou ainda que 71,8% da violência contra a mulher ocorre dentro de casa e a maioria das vítimas é formada por mulheres negras com idade entre 15 e 49 anos.

 

Texto e foto: Thereza Marinho

 

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