Debate realizado pela Ufes ressalta a importância da busca coletiva de soluções para a Universidade

“Essa crise é uma oportunidade de nos reinventarmos, de buscarmos outras alternativas para a condução da Universidade, dos processos e das responsabilidades que são inerentes ao ensino público de qualidade”. Essa foi uma das considerações feitas pelo reitor Paulo Vargas na abertura da mesa de debates O desafio do ensino superior em tempos de pandemia, realizada de forma virtual na manhã desta quarta-feira, 17, como parte da programação do 1º Congresso da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

O evento (clique aqui e assista ao vídeo do debate) contou com a presença do professor do Departamento de Filosofia Maurício Abdala, que falou sobre Utopias e distopias em tempos de pandemia: a questão da educação superior; da pró-reitora de Graduação e professora do Centro de Educação, Cláudia Gontijo, que abordou Como a Ufes se prepara a curto e médio prazo para cumprir o seu papel social diante da crise sanitária; e do diretor do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas e presidente do Grupo de Trabalho que coordena o Plano de Contingência da Ufes, Rogério Faleiros, que mediou o debate.

O reitor afirmou ainda que, no contexto da pandemia, é possível observar na sociedade o aumento da percepção da relevância da universidade e do seu papel na geração de conhecimento. Ele destacou a participação dos pesquisadores da Ufes em centenas de projetos de enfrentamento da COVID-19.

“Apesar das restrições que nos são impostas, existe um grande esforço para manter a Universidade viva, atuando no exercício daquilo que é seu tripé fundamental, que é o ensino, a pesquisa e a extensão. A maior singularidade deste momento é perceber que não há uma resposta pronta, uma receita para ser usada. Vivemos uma situação que, em grande medida, é completamente inédita e para a qual nem de longe estávamos preparados”, ressaltou.

Desafio

Paulo Vargas também disse que, atualmente, a maior parte das universidades brasileiras, assim como a Ufes, debate o desafio imposto por essa nova realidade, marcada pela incerteza quanto a um possível retorno das atividades presenciais, e o desafio de uma possível adesão a formas de ensino não presencial.

“A questão é como proceder para adequar o padrão baseado em aulas presenciais para um modelo de atividades remotas ou ensino remoto emergencial. Como garantir o pleno acesso digital a estudantes que não dispõem de bons equipamentos de acesso à internet ou mesmo de um local apropriado para estudar? Temos um desafio colocado na Universidade, que é viabilizar a inclusão digital desses alunos. Os problemas trazidos pela pandemia colocam a necessidade de mobilização para a construção de soluções de emergência que minimizem esses prejuízos sociais, sem perder o foco na qualidade de ensino”, salientou.

Antes de iniciar a mediação, o professor Rogério Faleiros fez uma breve explanação sobre o número de casos e de óbitos em decorrência da COVID-19 no Brasil e no mundo, e apontou para o obstáculo colocado às instituições federais de ensino superior.

“Ontem, a imprensa noticiou 1.338 mortos no Brasil nas últimas 24 horas. Cifra mundialmente superada apenas pela Índia. A pandemia, aliada ao contexto político e econômico nada favorável, coloca desafios enormes às universidades públicas. Os anos de contingenciamento e subfinanciamento parecem reclamar agora a sua fatura, tornando a missão do serviço público ainda mais difícil no atual momento”, conduziu.

O professor Maurício Abdala destacou que é preciso repensar a universidade nessa nova configuração, incluindo todas as questões que envolvem o ensino superior, como a produção acadêmica. “É preciso repensar essa insanidade que se tornou o produtivismo acadêmico. A produção, a pesquisa, demandam tempo, cuidado, dedicação. É preciso compreender a relação essencial entre a universidade e a sociedade; repensar o público para o qual produzimos conhecimento; qual é o perfil do aluno que queremos”, pontuou.

Abdala também considerou que a universidade não pode voltar a ser a mesma depois de tudo isso: “Se ela continua sendo a mesma, nós acabamos sendo cúmplices da realização da distopia. Nós temos que ser resistência com base no reavivamento do cultivo da utopia moderna que estimulou e acompanhou a universidade em tudo aquilo que ela fez de bom e positivo na modernidade. É hora de a universidade se refazer, se reformular, assim como nós esperamos que o mundo se refaça. A universidade tem que ser parte disso”.

Direitos

A pró-reitora de Graduação, Cláudia Gontijo, apresentou um resumo das ações realizadas pela Ufes desde o dia 17 de março, quando foram decretados o isolamento social e a suspensão das atividades presenciais. Ela afirmou que todas as iniciativas, desde a criação das comissões e dos grupos de trabalho, incluindo o diálogo com os centros de ensino e as unidades administrativas, tiveram o objetivo maior de preservar a vida, sem esquecer o direito à educação.

“Fizemos o que foi necessário para garantir o direito à vida, o mais fundamental de todos os direitos, um direito inalienável de todos nós. E seguimos com esse propósito até hoje. Mas, precisamos preservar o direito à educação. E, porque acreditamos na educação como uma base transformadora da sociedade e das pessoas e, portanto, somos defensores intransigentes do direito à educação, certamente encontraremos coletivamente caminhos para o ensinar e o aprender, neste momento atual e no futuro que, para nós, ainda é muito incerto”.

O 1º Congresso da Andifes começou nesta quarta-feira, 17, e segue até esta quinta, 18, abordando o tema Realidade e futuro da universidade federal. O objetivo do congresso é apresentar à sociedade a experiência e as reflexões de cada uma das universidades federais diante dos impactos provocados pela pandemia do novo coronavírus.

A programação completa do 1º Congresso da Andifes está disponível no site http://www.congresso.andifes.org.br/.

 

Texto: Thereza Marinho

 

 

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