OMS lança projeto para valorizar a atuação de enfermeiros na gestão da saúde

Neste sábado, 12 de maio, comemora-se o Dia Internacional da Enfermagem. Nos hospitais, eles estão presentes nos corredores, nos quartos e nas unidades intensivas 24 horas por dia, sempre envolvidos em tarefas diretamente ligadas ao bem estar dos pacientes. Sem falar na sua participação no serviço de Atenção Básica à Saúde. No entanto, suas contribuições nem sempre são reconhecidas em políticas nacionais da Saúde.

Diante disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou este ano o Projeto Agora, com o objetivo de valorizar o status e a participação desses profissionais nas instâncias de gestão. O projeto, que tem como patrona a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, também prevê o estímulo à criação de programas de treinamento e empregabilidade, pois de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), faltarão 9 milhões de enfermeiros, enfermeiras e parteiras no mercado para satisfazer as necessidades de saúde da população mundial até 2030.

Para a professora do Departamento de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGENF), Leila Massaroni, a iniciativa da OMS ressalta a importância desses profissionais na composição da equipe de saúde, afinal eles atendem os pacientes considerando, também, o contexto biopsicossocial, isto é, eles estão atentos ao ser humano em sua integralidade.

“Um aspecto relevante, embora não seja uma discussão recente, é entender que, com o conceito ampliado de saúde, o usuário possui necessidades referentes à sua saúde, e não necessidades médicas. No mundo atual, o contexto assistencial está balizado nos conceitos do cuidado integral, compartilhado e realizado por equipe multiprofissional e interdisciplinar. Nessa equipe, a enfermagem desenvolve um apelo de extrema relevância para os objetos do cuidado propriamente dito, e de integração entre as diversas equipes profissionais”, diz a professora.

Número de profissionais

Quanto ao número de profissionais no Brasil, a professora Leila explica que, de acordo com pesquisas recentes, atualmente, na região Sudeste, com mais de 80 milhões de habitantes, o coeficiente de enfermeiros por habitantes encontra-se estimado em 1,71. “No Espírito Santo, de acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen/2018), temos um total de 8.233 enfermeiros, dos quais 42 são obstetrizes (especializados na assistência à parturiente desde o período pré-natal até a realização do parto normal). A OMS preconiza a relação de dois enfermeiros(as) para 1.000 habitantes. O Cofen destaca, porém, que os números relativos aos profissionais atestam sua filiação, mas não garantem que eles estejam inseridos no mercado de trabalho”, acrescenta.

Leila também aponta outra questão relacionada à atuação do profissional de enfermagem junto aos demais da área de saúde e que também está em foco no Projeto Agora/OMS.  “Apesar de a legislação prever que é livre o exercício da enfermagem em todo o território nacional, a sua autonomia tem sido questionada em algumas ações realizadas na consulta de enfermagem, tais como solicitação de exames para detecção precoce de algumas doenças, prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e participação na elaboração da rotina aprovada pela instituição de saúde. É importante destacar a importância da equipe de enfermagem na implantação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas de saúde pública no Brasil”, conclui.

No segundo semestre de 2017, nos cursos de Enfermagem da Ufes nos campi de Maruípe (Vitória) e São Mateus, estavam efetivamente matriculados 388 estudantes, sendo 333 do sexo feminino e 55 do sexo masculino.

Texto: Letícia Nassar
Edição: Thereza Marinho

 

 

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