Projeto da Ufes incentiva a prática do crochê para reduzir estresse acadêmico

Utilizar a prática do crochê para ajudar estudantes a lidar com a vida universitária. Esse é o objetivo do projeto de extensão Linhas da Vida, coordenado pela professora de Psicologia da Ufes Claudia Rossetti. “O objetivo do projeto é fornecer foco e manejo positivo do estresse acadêmico, ou seja, aprender a lidar com ele de maneira saudável. Aprender a entrelaçar os fios é outra forma de lidar com as frustrações, a ter paciência. E no processo, as pessoas vão aprendendo a se enxergar”, afirma a professora, que pesquisa Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano.

A iniciativa teve início no segundo semestre de 2019, com encontros ministrados em dupla, por seis integrantes: alunos de Psicologia, uma professora de Terapia Ocupacional e uma psicóloga da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Cidadania (Proaeci). Em duas oficinas-piloto realizadas no primeiro semestre de 2019, um dos participantes disse que conseguiu transformar a sua ansiedade, antes dirigida à comida, por meio do crochê.

Em 2020, as oficinas do projeto terão início na segunda quinzena de março e a professora Claudia Rossetti destaca que não é necessário saber praticar o crochê para entrar no grupo.  “As turmas serão divididas nos níveis iniciante e avançado. Vamos aplicar as técnicas certas para cada conjunto de pessoas”, detalha. Durante os encontros, os alunos terão um diário de bordo, no qual anotarão como se sentem e seus progressos. Eles também terão atividades para casa, mantendo, assim, a recorrência na atividade.

A expectativa é que a primeira turma tenha em torno de 20 pessoas, entretanto, se a procura for grande, serão iniciados outros grupos. As inscrições serão abertas no início de março e informações podem ser obtidas pelo e-mail projetolinhasdavida [at] gmail.com.

O projeto

O projeto nasceu da percepção da professora, a partir dos seus estudos em Psicologia do Desenvolvimento, que estuda as mudanças progressivas nos seres humanos em diversas áreas, como a afetivo-emocional, a físico-motora e a social. Suas pesquisas começaram focadas na infância e seguiram para jovens adultos. Isso se deu pela constatação da necessidade de atenção a essa faixa etária, que em parte está dentro de universidades, enfrentando desafios que afetam o seu bem-estar. “Na Ufes mesmo, temos muitos casos de jovens que precisam de apoio”, aponta.

As linhas sempre foram usadas como metáforas sobre relacionamentos, ligações e cortes. O uso delas no Linhas da Vida não é diferente: as técnicas ensinadas aos integrantes foram escolhidas para trabalhar o controle. A metodologia é baseada no livro Hook to Heal!, da psicóloga americana e escritora Kathryn Vercillo. Nele, são ensinadas cem técnicas, contendo oito passos cada uma, de como transformar o crochê em arteterapia. “Em uma delas, caso o aluno perca o foco total enquanto produz, ele tem de desmanchar tudo para começar de novo. Isso leva a pessoa a trabalhar a atenção e ver até onde consegue construir com foco. Outro exercício é o de fazer todo o produto e em seguida desmanchar. Esse mexe com a paciência”, exemplifica a coordenadora.

Ansiedade

As dificuldades emocionais e a saúde mental têm sido motivo de preocupação no ambiente acadêmico. Segundo pesquisa realizada pela Associação Nacional de Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), entre os estudantes, 83% afirmaram ter vivido dificuldades emocionais e 63% sofreram de ansiedade em 2018.

Já o Projeto Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) aponta que o Brasil é o segundo país com maior índice de alunos na faixa etária dos 15 anos que ficam estressados durante as provas: 80,3% deles ficam nervosos ou ansiosos durante os exames e 56% ficam tensos com os estudos. Diante dessa realidade, muitos centros de ensino superior têm pensado em meios de cuidar da saúde mental de sua comunidade.

Para saber mais sobre o projeto, acesse o site da Revista Universidade: https://blog.ufes.br/revistauniversidade/2020/01/15/projeto-incentiva-a-pratica-do-croche-para-reduzir-o-estresse-academico/.

 

Texto e foto: Mikaella Mozer (estagiária de Comunicação)
Edição: Lidia Neves e Thereza Marinho

 

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