Seminário defende movimento de resistência contra a censura nas artes

“Nós estamos aqui em um movimento de resistência. Estamos aqui para defender a sociedade e a liberdade em todas as suas vertentes. Nós não aceitaremos a censura”. Foi com estas palavras que a vice-reitora Ethel Maciel abriu o seminário “Um corpo no meio do caminho”, que debateu a proposta de censura às obras de arte e a necessidade de mobilização contra a medida.

A atividade foi motivada pela aprovação, quase que por unanimidade (apenas um voto contrário), do Projeto de Lei 383/2017, de autoria do deputado estadual Euclério Sampaio (PDT), que trata “sobre a proibição de exposição artística ou cultural em espaço público com teor pornográfico no Estado do Espírito Santo”. A proposta foi votada em regime de urgência na Assembleia Legislativa.

Mais de 100 pessoas – entre artistas, estudantes, professores e servidores técnico-administrativos – participaram do evento que contou com a presença do secretário de Estado de Direitos Humanos, Júlio Pompeu; do secretário de Cultura da Ufes, Rogério Borges; do diretor do Centro de Artes, Paulo Vargas; do diretor do Museu de Arte do Espírito Santo, Renan Andrade; e dos professores dos departamentos de História e Comunicação Social, Sérgio Feldman e Erly Vieira Júnior, respectivamente.

O secretário Júlio Pompeo alertou que qualquer tipo de censura ameaça a democracia, pois impede que as pessoas se manifestem. “Querer censurar é dizer que o Estado é melhor do que você, que tem mais capacidade que você para decidir o que é bom e o que não é”, afirmou, destacando que a posição do governo estadual é de vetar o projeto de lei.

Censura

Os professores convidados propuseram uma reflexão sobre o que motiva a censura. O historiador Sérgio Feldman analisou a questão do ponto de vista da religião, visto que censuras como esta são defendidas, em sua maioria, por legisladores evangélicos.

“A questão do corpo aparece muitas vezes na Bíblia, que não o censura. Temos um ótimo exemplo disso no livro Cântico dos Cânticos. Uma das formas de combater esse fundamentalismo é reavaliar o texto bíblico, que é humano. Corpo não é sujo, é limpo; amor não é sujo, é limpo; a arte não é suja, é limpa”, defendeu. 

O professor Erly Vieira Júnior destacou que uma das funções fundamentais da arte é tirar os espectadores da zona de conforto. “Toda iniciativa de regular pode ser uma ameaça a um espaço de discussão que é tão precioso. E há uma distorção muito forte, que é muito desonesta. Às vezes, uma obra que é uma denúncia passa a ser vista como uma apologia. E a proposta de lei ignora toda uma regulação que já existe sobre classificação indicativa. Precisamos de mais informação e menos obscurantismo”, afirmou.

Texto: Thereza Marinho

 

 

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