Professora da Ufes lança livro sobre violências contra mulheres a partir das trajetórias de Bertha Pappenheim e Maria Firmina dos Reis

29/09/2026 - 15:18  •  Atualizado 29/09/2026 17:44
Texto: Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
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Imagem da capa do livro

Duas mulheres, dois países e duas trajetórias separadas pelo tempo, mas atravessadas por violência, resistência e luta por autonomia. A alemã Bertha Pappenheim, conhecida na história da psicanálise como Anna O., e a escritora brasileira Maria Firmina dos Reis conduzem o novo livro da pesquisadora e professora do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD/Ufes) Rosely Pires, criadora e coordenadora-geral do programa de extensão Fordan: Cultura no Enfrentamento às Violências. Lançada durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a obra investiga como misoginia e racismo atuam no controle e no silenciamento das mulheres.

O livro Ana O/Bertha Pappenheim e Maria Firmina dos Reis: mulheres que sofreram e lutaram contra as violências surgiu da tese de doutorado de Pires em Ciências Jurídicas e Sociais na Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolvida a partir das experiências das duas mulheres e de temas como misoginia, racismo, escravização, fundamentalismo religioso e mecanismos de controle sobre a autonomia e o desejo femininos. O estudo estende a discussão ao campo do Direito, analisando a presença da misoginia na formação dos operadores e na cultura jurídica, e trata também do feminismo e do ativismo político como formas de resistência. 

Maria Firmina dos Reis é apresentada no livro como mulher negra, abolicionista e autora de Úrsula, romance publicado em 1859. Pires destaca seu pioneirismo ao abordar a experiência e o sofrimento das mulheres negras durante a escravização. Bertha Pappenheim, por sua vez, tem a história revisitada para além de sua experiência como paciente do psiquiatra Josef Breuer. Com base nas fontes reunidas durante a pesquisa, Pires questiona aspectos da narrativa tradicional sobre Anna O. e destaca a atuação de Pappenheim no movimento de mulheres na Alemanha, incluindo sua participação na criação de uma organização dedicada à defesa dos direitos femininos e ao enfrentamento das violências. 

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Foto da professora no estande na Bienal segurando o livro
Rosely Pires na Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Da tese ao livro

A elaboração da tese também marcou a trajetória acadêmica da autora. Segundo Pires, durante a defesa, em 2021, a banca solicitou a retirada dos capítulos dedicados a Bertha Pappenheim e Maria Firmina dos Reis e informou que mantê-los poderia resultar em reprovação ou aprovação com ressalvas. Pires decidiu não fazer a alteração e, após buscar apoio dentro e fora da universidade, conseguiu depositar a tese com os capítulos preservados. Cinco anos depois, são justamente esses capítulos que chegam ao público em forma de livro. 

O lançamento coincide com o retorno de Pires à UFF, desta vez para desenvolver um pós-doutorado na Faculdade de Direito voltado à elaboração de protocolos de denúncia de violência contra as mulheres. 

A relação de Pires com o enfrentamento às violências contra as mulheres, porém, vai além da pesquisa acadêmica. Há mais de 20 anos, ela está à frente do Fordan, programa de pesquisa e extensão da Ufes voltado ao enfrentamento às violências contra mulheres em situação de vulnerabilidade social e com acesso limitado a políticas públicas e à garantia de direitos. 

Publicado pela Autografia Editora, o livro tem 178 páginas e também está disponível em formato digital.

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