Pesquisa cadastra pessoas com doença de Sjögren para mutirão de atendimento e amplia acesso a novos medicamentos

28/05/2026 - 15:20  •  Atualizado 30/05/2026 13:17
Texto: Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
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Imagem da boca ressecada de uma mulher

No próximo sábado, dia 30, pacientes diagnosticados com a doença de Sjögren poderão participar de um mutirão gratuito de consultas especializadas que será realizado no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), localizado no campus de Maruípe. O atendimento é dirigido exclusivamente a pessoas com laudo médico que comprove o diagnóstico da doença e que apresentem resultado positivo para o exame anti-RO/SSA, principal marcador utilizado para confirmar a enfermidade. 

A doença de Sjögren é caracterizada por um desequilíbrio imunológico que causa inflamação nas glândulas produtoras de lágrimas e saliva, provocando secura. Os sintomas típicos incluem ressecamento dos olhos e da boca, mas pode acometer as articulações, a pele, os pulmões, os rins e o sistema nervoso.  

Os atendimentos ocorrerão no Complexo Ambulatorial Multirreferenciado (CAM - ambulatório novo) do Hucam, das 7 às 12 horas. As vagas são limitadas e, após a inscrição, a equipe do hospital entrará em contato para confirmar o atendimento. As pessoas interessadas em participar devem realizar o agendamento por meio do formulário disponível neste link.

Esta iniciativa integra o HU Brasil em Ação, mobilização nacional que envolve os 45 hospitais universitários federais do país para a realização de diversos exames, consultas e cirurgias. Responsável pelo mutirão voltado à doença de Sjögren, a reumatologista e professora do Departamento de Clínica Médica Valéria Valim destaca que o Hucam é um dos maiores centros de referência do mundo em estudos e no tratamento da doença. Atualmente, a unidade acompanha cerca de 250 pacientes e atua como um polo de formação e treinamento para o diagnóstico da enfermidade no Brasil.

Neste vídeo, Valim reforça o convite e orienta os pacientes com doença de Sjögren sobre como participar da ação.

De acordo com a professora, a Ufes mantém uma forte produção científica voltada à compreensão dos mecanismos da doença e ao desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas: “Temos vários projetos de pesquisa para compreender a patogênese desta doença, além de diversas linhas de tratamento, medicamentosas e não medicamentosas. Para isso, contamos com convênios internacionais com instituições de ponta, como a Universidade de Bergen, na Noruega, e a Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, além de parcerias com grandes indústrias farmacêuticas, como a BMS e a Novartis", explica.

Acesso a novos medicamentos

O mutirão também funcionará como porta de entrada para pacientes elegíveis terem acesso a tratamentos de última geração, por meio de protocolos de pesquisa clínica desenvolvidos na unidade de pesquisa do Hucam. Os estudos em andamento envolvem medicamentos imunobiológicos modernos, conhecidos como terapias-alvo, que, segundo Valim, diferentemente dos tratamentos convencionais, atuam bloqueando proteínas específicas do organismo relacionadas à doença, o que proporciona maior eficácia terapêutica e redução significativa dos efeitos colaterais.

Entre as novidades científicas acompanhadas pela equipe, está o ianalumabe, medicamento que, de acordo com a professora, já se encontra em estágio avançado de aprovação pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora dos Estados Unidos, e que pode chegar ao mercado brasileiro nos próximos meses ou anos.

"Já existem evidências científicas robustas sobre a eficácia dessas novas drogas para as manifestações sistêmicas da doença. Agora, os novos desenhos de estudo da nossa unidade de pesquisa buscam comprovar e consolidar o benefício direto desses medicamentos nas manifestações glandulares, combatendo de forma mais assertiva o principal sintoma relatado pelos pacientes: a secura extrema", destaca a professora.

Imagem extraída do site https://www.bauru.usp.br/. 

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