O livro Gênero, igualdade racial e direitos LGBTQIA+ no conservadorismo de extrema direita: desmonte, protesto e repressão, que tem como uma das organizadoras a professora Euzeneia Carlos, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PGCS) da Ufes, será lançado nesta quinta-feira, 16, na Universidade de Brasília (UnB). A obra é resultado de uma pesquisa interinstitucional intitulada "Movimentos sociais e políticas públicas no contexto de conservadorismo: consequências nas políticas e no ativismo de direitos humanos".
O trabalho reuniu pesquisadores da Ufes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sob coordenação de Euzeneia Carlos, a rede de pesquisadores investigou, ao longo de quatro anos, as mudanças na área de direitos humanos, com foco no desmonte das políticas públicas direcionadas às mulheres, à população LGBTQIA+ e à garantia da igualdade racial. Também foram analisadas as formas de resistência e mobilização social nesse contexto.
“A motivação para a pesquisa foi a necessidade premente de se compreender o conservadorismo de extrema direita no Brasil na última década, um fenômeno de retrocesso democrático com impactos nas políticas públicas e na sociedade civil”, afirma a professora. Segundo ela, esse “conservadorismo assume expressão pública no país a partir dos protestos de junho de 2013, se expande com as manifestações pró-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2014 e 2015, e se consolida com a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018”. O período abordado no livro vai de 2015 a 2022, ou seja, do impeachment até o governo Bolsonaro.
“A obra contribui para o debate público e acadêmico ao demonstrar como a adoção do conservadorismo de extrema direita no governo federal produziu transformações nessas políticas públicas e nos ativismos contestatórios. A novidade está no entrelaçamento de três dimensões analíticas do fenômeno: desmonte de políticas, protestos e repressão”, explica a pesquisadora.
Articulação
Na sua avaliação, “as transformações estão articuladas às dinâmicas de retrocesso democrático e de repressão governamental impulsionados pela extrema direita no país”. Ela continua: “a pesquisa comprova empiricamente que as mudanças nas políticas públicas foram aprofundadas no governo Bolsonaro por meio da combinação de estratégias de omissão, de mudança de arena, de ação simbólica e de desmonte ativo".
“O desmonte”, explica a professora, “foi processual, intencional e progressivo, com as transformações gravitando de formas menos visíveis e sutis para formas mais explícitas e ativas, alterando as burocracias públicas e os orçamentos, os programas e a participação social”.
O livro conta com capítulos escritos pelos professores Matheus Pereira (UFRGS), Cristiano Rodrigues (UFMG), Eduardo Fernandes (UnB) – também organizadores da obra – e Marcelo de Souza (Ufes), além da colaboração das estudantes do PGCS/Ufes Ana Loures, Daniela de Oliveira, Danielly Vila Real e Mirna Sabatini, e do estudante Jeferson Margon.
Agenda
A agenda de lançamentos para este ano prevê eventos na UFMG, em junho; na Ufes, em setembro; e na UFRGS, em novembro; além dos lançamentos no 15º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), em agosto, e no 50º Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), em outubro.
A obra recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Universidade Federal do Espírito Santo