Palestra discute pontos centrais defendidos pelo movimento da ciência aberta e reprodutível

08/10/2026 - 18:48  •  Atualizado 09/10/2026 08:13
Texto: Sueli de Freitas     Edição: Thereza Marinho
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Foto geral da palestra

Uma ciência colaborativa e com acesso livre, que pense nos diferentes segmentos da sociedade envolvidos no processo de produção científica e que tenha responsabilidade social e cuidado no uso de recursos. Esses são os pontos centrais defendidos pelo movimento da ciência aberta e reprodutível, e debatidos nesta quinta-feira, 8, na palestra Por que falar sobre ciência aberta e reprodutível? Uma perspectiva pessoal e profissional, com a pesquisadora Eduarda Centeno, diretora executiva da Rede Brasileira de Reprodutibilidade (RBR). O evento integra a programação da Semana do Conhecimento e foi realizado na Biblioteca Central da Ufes, no campus de Goiabeiras. 

A palestra contou com a presença do reitor da Ufes, Eustáquio de Castro; do pró-reitor da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG/Ufes), Valdemar Lacerda Júnior; do diretor de Pesquisa da PRPPG/Ufes, Sérgio Lins; e da coordenadora da Semana do Conhecimento, Ana Beatriz Fonseca. O reitor destacou a importância do debate sobre ciência aberta, que permite ampliar o acesso a dados de pesquisas e a otimização de recursos.

Na Ufes, uma comissão trabalha desde 2025 na construção de uma agenda para a implementação de práticas de ciência aberta. “Temos um normativo que está em análise interna na PRPPG para finalização e apresentação às instâncias internas da Universidade”, informou Lins.

Segundo ele, a Universidade já deu importantes passos para garantir o acesso a pesquisas. Um dos exemplos é o sistema repositório da Ufes, onde estão disponibilizadas as produções da Universidade. Lins informou que, atualmente, “75% dos artigos, tese e dissertações da Ufes estão em acesso aberto, segundo dados levantados pelo professor Fabiano Couto, da Biblioteconomia, analisando as bases de dados abertos e de publicações”.

Outra frente de atuação da Ufes são as ações educativas para criar a cultura interna da ciência aberta. “A palestra de hoje é uma dessas ações. E no final do mês, nos dias 22 e 23 de outubro, teremos o primeiro fórum de ciência aberta na Ufes, na Semana Mundial da Ciência Aberta”, informou o diretor de Pesquisa da Universidade.

Valores da ciência aberta

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Foto dos representante da gestão da Ufes na abertura do evento
O reitor da Ufes, Eustáquio de Castro, reforçou que o movimento pela ciência aberta permite ampliar o acesso a dados de pesquisas e a otimização de recursos

“Consciência, talvez, seja a palavra-chave”, afirmou a representante da RBR ao resumir os valores do movimento pela ciência aberta e reprodutível, como “acessibilidade, transparência, reprodutibilidade, inclusividade, colaboração e responsabilidade”. Segundo ela, as práticas da ciência aberta objetivam que “o ciclo de pesquisa se torne mais transparente e que tenhamos maior possibilidade de verificar o que foi feito no processo de fazer científico”.

Essas práticas envolvem todas as etapas do processo, desde o planejamento da pesquisa e a construção de um plano de gestão de dados, passando pela execução do projeto – como são feitas as anotações da pesquisa e dos dados coletados, descrição das reais condições em que a pesquisa aconteceu –, até a publicação dos dados – publicação de forma integral, com disponibilidade de dados e códigos, informando como aquilo foi analisado e garantindo o acesso aberto para que aquele artigo esteja disponível a qualquer pessoa. “Assim se fecha um ciclo em que a transparência e a acessibilidade são o foco”, explicou a palestrante.

Outro ponto destacado por ela é a revisão de artigos por pares, com “pareceres abertos para que aquela conversa seja da comunidade e não fique fechada a sete chaves”. Centeno também diz ser necessário envolver os diversos atores, que muitas vezes são invisibilizados, como comunidades específicas de conhecimento tradicional. Na sua avaliação, essas “são formas de contribuir para a ciência aberta, para que o conhecimento seja mais verificável, transparente e acessível para todo mundo”.

O conceito de reprodutibilidade, um dos pilares da RBR, trata da possibilidade de uma pesquisa, feita em condições semelhantes à outra já concluída, chegue a resultados parecidos ou iguais, desde que seja garantido ao pesquisador o acesso a dados processados, metodologias e outros detalhes. A ideia central é que um resultado científico não deve depender apenas da autoridade ou da reputação de quem publicou o estudo. Outros pesquisadores precisam ter condições de verificar como aquele resultado foi obtido.

Por isso, a reprodutibilidade está diretamente relacionada a valores como transparência, rigor metodológico e confiabilidade científica.

A palestrante recebendo uma lembrança dos gestores da Ufes
Sérgio Lins, Ana Beatriz Fonseca, Eustáquio de Castro e Valdemar Lacerda Júnior presenteiam Eduarda Centeno com café produzido pelo Laboratório de Pesquisa em Química do Café da Ufes 

“Esse não é um conceito uniforme para todas as áreas do conhecimento, porque há áreas em que isso é mais fácil de se fazer do que outras; há diferenças se uma pesquisa é qualitativa ou quantitativa, por exemplo. Mas a ideia é que a gente consiga ter um mínimo de comparação entre estudos e condições, consiga verificar se aquele achado realmente se encontra também em outro laboratório ou com outra pessoa fazendo aquele estudo, porque é um achado robusto. A reprodutividade se propõe basicamente a isso”, afirmou Centeno.

O que é a RBN?

A Rede Brasileira de Reprodutibilidade (RBR) é uma iniciativa multidisciplinar para promoção de práticas de pesquisa transparentes e confiáveis na comunidade científica brasileira. Reúne grupos, instituições, sociedades científicas, periódicos e indivíduos de todo o Brasil que se dedicam a avaliar e aprimorar práticas em diferentes áreas da ciência e fomentar o debate sobre reprodutibilidade em pesquisa. 

A RBN integra uma rede internacional estruturada em diferentes países, visando trocar experiências e contribuir para uma ciência mais transparente e confiável em todo o mundo.

Fotos: Ana Oggioni

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