O que fazer com aquele computador antigo, a impressora que parou de funcionar ou os cabos esquecidos em uma gaveta? No sul do Espírito Santo, equipamentos como esses estão ganhando novos destinos por meio do projeto de extensão Ufes TI Verde, desenvolvido no campus de Alegre. Entre setembro de 2025 e setembro deste ano, a iniciativa recolheu aproximadamente uma tonelada de resíduos eletrônicos, ampliou as parcerias com prefeituras da região do Caparaó e levou atividades de educação ambiental a dez escolas. Outra novidade é a aprovação em um edital de fomento, que permitirá ao projeto investir no desenvolvimento de soluções tecnológicas.
Criado em 2020 e coordenado pelos professores do Departamento de Computação do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (DC/CCENS) Valéria Alves e Giuliano Prado, o projeto busca evitar que equipamentos sem uso acabem descartados de maneira inadequada. Para isso, conta com dez estudantes voluntários dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação, que participam de atividades que vão da recuperação de computadores e outros dispositivos à conscientização sobre os impactos ambientais do lixo eletrônico. A experiência permite que os universitários coloquem em prática o que aprendem em sala de aula e, ao mesmo tempo, contribuam para atender às necessidades da população.
Inclusão digital
Dos resíduos recolhidos no último ano, mais de 600 quilos vieram de pontos de coleta, mutirões, feiras e atividades educativas. Outros cerca de 400 quilos foram arrecadados em Alegre pela Associação dos Profissionais da Reciclagem e do Meio Ambiente (Asprorema). Mas, segundo Prado, nem tudo o que chega ao projeto precisa terminar como resíduo.
Antes de decidir o destino de cada material, a equipe avalia o que ainda pode ser aproveitado. Nesse processo, foram recuperados dois computadores, duas impressoras, um notebook e uma calculadora científica, que serão doados à comunidade em parceria com as secretarias municipais de Assistência Social. Já os materiais que não podem ser recuperados seguem para reciclagem. Nesse último ano, 300 quilos de plásticos, metais e cabos foram encaminhados à Asprorema para aproveitamento sustentável.
Segundo Prado, a ideia é aproveitar ao máximo o potencial dos materiais recebidos, evitando o descarte desnecessário e possibilitando que equipamentos recuperados atendam a quem precisa. Para os estudantes de Computação envolvidos na iniciativa, cada dispositivo também representa uma oportunidade de exercitar conhecimentos de manutenção, recuperação e montagem de equipamentos eletrônicos.
Rede de cooperação
Antes de ganhar uma nova utilidade, esses equipamentos precisam chegar às mãos da equipe, mas nem sempre a população sabe onde descartar o que não usa mais. Segundo Prado, as parcerias com as prefeituras ajudam a enfrentar essa dificuldade, por meio da organização de pontos de coleta e do transporte dos materiais.
No último ano, Iúna, Ibitirama e Jerônimo Monteiro passaram a integrar a rede de cooperação do Ufes TI Verde, enquanto outros quatro municípios (Guaçuí, Divino de São Lourenço, Ibatiba e Muqui) estão em fase final de negociação para aderir à iniciativa. Os acordos envolvem orientação técnica, capacitação e ações conjuntas, sem repasse financeiro entre as instituições. Os equipamentos recuperados a partir do material recolhido em cada cidade são destinados à própria comunidade local.
Além de oferecer alternativas para o descarte, o projeto procura fazer com que menos equipamentos acabem no lixo comum. Para isso, a equipe vai às escolas e participa de campanhas que estimulam a reflexão sobre consumo, sustentabilidade e os riscos ambientais associados aos resíduos eletrônicos. Entre setembro de 2025 e setembro de 2026, foram realizadas palestras em dez escolas dos municípios de Alegre, Iúna e Muniz Freire, incluindo unidades localizadas nos distritos de Celina e Rive, em Alegre. A equipe também participou de mutirões e campanhas ambientais em Alegre e Jerônimo Monteiro.
De acordo com os coordenadores, a intenção é fazer com que a população compreenda por que os resíduos eletrônicos exigem cuidados específicos e saiba como contribuir para sua destinação correta. As atividades incluem palestras, oficinas e ações práticas, envolvendo desde crianças e adolescentes até trabalhadores da coleta seletiva e gestores municipais.
Outras informações sobre o projeto podem ser obtidas no Instagram da iniciativa.
Fotos: Magnific e Ufes TI Verde
Universidade Federal do Espírito Santo