Desafios do Estado no controle de dados e iniciativas capixabas norteiam debate promovido pela Ufes, em parceria com o Serpro

20/08/2026 - 17:03  •  Atualizado 20/08/2026 17:49
Texto: Tatiana Moura     Edição: Thereza Marinho
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Foto da apresentação do reitor

A Ufes sediou nesta quinta-feira, 20, a primeira edição do painel Soberania Digital e IA no Contexto Capixaba, realizado pela Universidade em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). O evento, realizado no Cine Metrópolis, no campus de Goiabeiras, integra as ações do Programa Capixaba de Inteligência Artificial (PCIA) e tem o objetivo de ampliar o debate sobre soberania digital e como o Espírito Santo pode desenvolver competências, infraestrutura, inovação e políticas públicas que contribuam para uma agenda de IA alinhada às necessidades do estado e do país.

Participaram do painel o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro; a vice-reitora, Sonia Lopes; o diretor técnico-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes), Celso Alberto Saibel; o coordenador de infraestrutura de Tecnologia da Informação do Banestes, Camilo Bragatto; o subsecretário de Projetos Integrados da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), Matheus Oggioni; o superintendente de Arquitetura Corporativa, Plataformas Inteligentes e Engenharia de Nuvem do Serpro, Welsinner de Brito; a superintendente de Projetos e Inovação da Ufes, Miriam de Magdala; e representantes do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Espírito Santo (Prodest), além de professores do CT, estudantes e pessoas interessadas no tema.

Em seu discurso, o reitor mencionou as iniciativas desenvolvidas pela Ufes na área de tecnologia, como a execução do Programa Capixaba de Inteligência Artificial (PCIA), a criação do data center, com previsão de inauguração no mês de outubro, e do Núcleo de Pesquisa e Inovação em Análise e Tratamento Avançado de Dados, o Nupidata, que ficará hospedado dentro da Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) da Universidade.

Ele manifestou ainda a intenção da Ufes em abrigar a primeira Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) na área de transformação e soberania digital, em parceria com o Serpro.

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Foto do painel no momento do debate
Miriam de Magdala falou sobre o Núcleo de Pesquisa e Inovação em Análise e Tratamento Avançado de Dados, a ser desenvolvido pela Ufes

Welsinner de Brito falou sobre os desafios do governo federal na consolidação de políticas públicas na área de dados e detalhou o modelo de nuvem soberana utilizada pelo Executivo, explicando suas características e os desafios para implementá-la. Ele ainda destacou a importância das parcerias com a academia e com o mercado para a consolidação da soberania digital, a partir da “construção de uma nuvem totalmente soberana”.

Controle de dados

Nuvem soberana é uma infraestrutura de computação em nuvem por meio da qual o Estado mantém controle sobre dados, sistemas e operações tecnológicas considerados estratégicos. Na prática, significa que dados sensíveis ficam armazenados e processados no Brasil; submetidos à legislação brasileira, sob governança e controle nacionais; protegidos por mecanismos de segurança, auditoria e controle de acesso; e com capacidade de processamento, armazenamento e recuperação mantida em infraestrutura sob controle nacional. 

A ideia surgiu da necessidade de aproveitar as vantagens da computação em nuvem, sem perder o controle sobre informações sensíveis ou estratégicas do Estado. 

Projetos estaduais

O subsecretário de Projetos Integrados da Secti, Matheus Oggioni, apresentou ao público três novidades que unirão inovação e segurança digital em benefício da população capixaba: a construção do novo data center verde, sediado no Centro de Exposições de Carapina; a criação do portal e do aplicativo ES.GOV, que garantirão acesso simples e rápido a serviços ofertados pelo governo; e a criação do Centro Integrado de Defesa Social do Espírito Santo (Cides), que reunirá, no mesmo lugar, as principais equipes que cuidam da segurança e de atendimentos de emergência.

Já a superintendente de Projetos e Inovação da Ufes, Miriam de Magdalla, detalhou o Plano Capixaba em Inteligência Artificial (PCIA), organizado em sete eixos: Governança e regulação; Infraestrutura, tecnologia e componentes críticos; Formação de pessoas; Aplicações e hardware; Pesquisa, desenvolvimento e inovação; Comunicação externa; e Monitoramento e avaliação contínua. O documento foi concluído em dezembro de 2025 e foi elaborado com a participação da academia, de empresas, do governo e da sociedade civil.

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Foto da apresentação do professor Oliveira
O professor Mauro Oliveira abordou a Inteligência Artificial Generativa (IAG) e seus impactos na educação 

Magdalla ainda detalhou sobre o Nupidata, que vem sendo desenvolvido na esteira do PCIA. Ela explicou que o Núcleo reunirá conectividade de alta velocidade, computação de alto desempenho, inteligência artificial e armazenamento de dados, sendo destinado ao apoio às atividades de ensino, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, e à prestação de serviços tecnológicos a organizações públicas e privadas.

Caravana LF

O painel contou com uma palestra do professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE) Mauro Oliveira, idealizador da Caravana LF de Soberania Digital. De forma descontraída, ele apresentou a Caravana LF (sigla em referência ao professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Luiz Fernando Gomes Soares, que teve um papel importante no desenvolvimento da TV Digital brasileira), que já percorreu mais de 40 universidades abordando temas como a revolução da Inteligência Artificial Generativa (IAG) e a educação em tempos de IAG, trazendo como impactos a terceirização do raciocínio, redução do esforço cognitivo e fragilização do pensamento crítico. 

O professor ainda dividiu com os participantes reflexões sobre datacenters de IA que, na visão dele, são encarados como um problema mundial, e propôs a criação de uma política pública de IA. “Este país é a nona economia do mundo, não pode ser quintal de data center”, afirmou.

Fotos: Tatiana Moura

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