Até o próximo dia 21, pessoas interessadas na obra O Capital, de Karl Marx, podem se inscrever no curso de extensão gratuito Leitores/as de O Capital – Livro I, ofertado no âmbito de uma ação interinstitucional de estudos sistemáticos do livro. Na Ufes, a iniciativa se desenvolve por meio do projeto de extensão Processo Global de Produção do Capital e Luta de Classes, que integra essa rede ampliada de universidades públicas brasileiras. As inscrições devem ser realizadas no site da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O curso será realizado de 8 de abril a 21 de outubro, com encontros síncronos quinzenais, às quartas-feiras, das 9h30 às 11h30, pela plataforma Google Meet, com certificação de 86 horas para quem cumprir os critérios de frequência e participação. A atividade é gratuita e aberta à comunidade acadêmica e ao público em geral.
A ação articula universidades públicas por meio de projetos de extensão e grupos de pesquisa dedicados à formação crítica e ao aprofundamento da crítica da economia política. Além da Ufes e da UFRGS, participam da parceria acadêmica as universidades federais de Alagoas (Ufal), Mato Grosso (UFMT), do Pará (UFPA), do Tocantins (UFT), Fluminense (UFF) e de Brasília (UnB).
A proposta é formar leitores e leitoras capazes de compreender os fundamentos da crítica da economia política desenvolvida por Marx, especialmente os conceitos centrais do Livro I, como mercadoria, valor, mais-valia, jornada de trabalho e acumulação do capital. A leitura será coletiva e orientada por docentes e pesquisadores integrantes da rede interinstitucional, promovendo diálogo qualificado e reflexão crítica sobre as dinâmicas estruturais da sociedade contemporânea.
Formação crítica
Coordenadora do projeto de extensão da Ufes, a professora do Departamento de Ciências Sociais Raquel Sabará avalia que incentivar o estudo sistemático de O Capital nas universidades públicas representa renovar o compromisso institucional com uma formação crítica, consistente e comprometida com a realidade social. “As crises econômicas contemporâneas evidenciam contradições que não podem ser compreendidas apenas por fatores conjunturais. A expansão permanente da acumulação capitalista está diretamente relacionada à exploração intensiva da natureza, à expropriação de territórios, à devastação ambiental e às crises climáticas. Ler O Capital hoje é interrogar o presente com densidade teórica”, destaca.
Ao analisar o cenário atual, Sabará observa que “o avanço acelerado das tecnologias digitais, da inteligência artificial e da automação tem reorganizado os processos produtivos, ampliado a produtividade e alterado as formas de exploração e controle do trabalho”. Segundo ela, esse movimento está ligado à lógica de expansão contínua do capital, que intensifica o uso dos recursos naturais, amplia a apropriação de territórios e agrava os impactos ambientais e climáticos.
No plano geopolítico e institucional, a professora ressalta que “a América Latina ocupa posição estratégica no sistema internacional como fornecedora de matérias-primas, energia, alimentos e biodiversidade”. Nesse contexto, ela argumenta que a universidade pública precisa oferecer instrumentos analíticos capazes de enfrentar esses desafios em suas dimensões histórica, econômica, ambiental e geopolítica, reafirmando, por meio da leitura de O Capital, seu compromisso com a formação crítica e com o debate qualificado sobre os dilemas estruturais do nosso tempo.
Universidade Federal do Espírito Santo