Pesquisa revela capacidade de células cancerígenas se adaptarem a condições adversas para sobreviver em ambientes hostis

06/02/2025 - 15:27  •  Atualizado 06/02/2025 15:53
Texto: Sueli de Freitas     Edição: Thereza Marinho
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Imagem de célula cancerígena gerada por inteligência artificial

O artigo científico intitulado Resilience in adversity: exploring adaptive changes in cancer cells under stress (Resiliência na adversidade: explorando mudanças adaptativas em células cancerígenas sob estresse), publicado por pesquisadores da Ufes na revista Tissue and Cell, da editora Elsevier, revela que adaptações ao estresse celular promovem alterações morfológicas e funcionais que acompanham ou aceleram o processo de formação do câncer.

As células cancerígenas, ao enfrentarem condições adversas, como hipóxia (falta de oxigênio), estresse oxidativo, privação de nutrientes e exposição a tratamentos médicos, ativam mecanismos de adaptação que alteram sua morfologia e organização estrutural. Essas mudanças, muitas vezes associadas à plasticidade celular, permitem que as células sobrevivam em ambientes hostis, resistam a terapias e se disseminem para outros tecidos.

O trabalho explora essas mudanças adaptativas, que contribuem para a sobrevivência tumoral. “Essa pesquisa é significativa, pois não apenas esclarece os mecanismos de resiliência das células cancerígenas, mas também fornece insights que podem informar o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas e melhorar as avaliações prognósticas em oncologia clínica”, afirmam os pesquisadores no artigo.

O estudo foi conduzido como uma revisão de literatura a fim de fornecer uma nova perspectiva para a pesquisa do câncer. Foram pesquisadas cinco bases de dados: PubMed, Web of Science, Capes, BVS e Scopus. Ao final, um total de 82 artigos foram selecionados.

Escrita científica

O artigo é resultado de um curso de escrita científica promovido pelos professores do Departamento de Ciências Biológicas (DCBio) Débora Meira e Iúri Drumond, ambos do Núcleo de Genética Humana e Molecular (NGHM) e docentes do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec). O projeto busca capacitar estudantes e pesquisadores na produção de textos acadêmicos de alto impacto, fomentando a excelência científica e formando profissionais qualificados. A estudante do curso de Medicina Taissa Uchiya é a primeira autora do artigo.

“A publicação reforça o papel da Ufes como referência na produção de conhecimento científico e seu compromisso com o avanço da oncologia por meio de abordagens multidisciplinares”, afirma a professora Meira.

Imagem de célula cancerígena gerada por inteligência artificial.

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