Professora da Ufes fala sobre hanseníase como zoonose em evento internacional

Saúde Única: hanseníase como zoonose. Esse é o tema da palestra da professora Patrícia Deps, do Departamento de Medicina Social e do Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas da Ufes, no I Seminário Internacional online sobre Vulnerabilidades e Doenças Infecciosas Negligenciadas (Siovdin). O evento científico organizado pelo Grupo de Pesquisa Vulnerabilidades e Doenças Negligenciada(GP-VDN), da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas, acontece a partir desta quinta-feira, 25, e segue até sábado, 27, contando com a participação de convidados de diversas áreas do conhecimento, com foco em doenças como hanseníase, tuberculose, zica, dengue e covid-19.

A palestra de Patrícia Deps será no dia 26, às 10h30. A participação é aberta ao público, mas é necessário fazer inscrição prévia no site do seminário.

Segundo a professora da Ufes, nos Estados Unidos a hanseníase é considerada uma zoonose, ou seja, doença infecciosa que tem o mesmo agente causador no homem e em animais. Nesse caso, o Mycobacterium leprae é encontrado também no tatu. “O contato com tatus é considerado fator de risco para desenvolvimento de hanseníase nos Estados Unidos”, afirma a médica. Ela lembra que o mesmo não acontece no Brasil. E pior: aqui a caça e o consumo da carne de tatu são práticas comuns, apesar de crime ambiental. 

Registro de casos

O Brasil é o segundo país em número de casos de hanseníase no mundo, com registro de 208.619 infectados novos no ano de 2018. “Nós, da Ufes, fomos pioneiros no estudo relacionando hanseníase com contato com tatus no país”, afirma a professora, referindo-se a um artigo publicado em 2002.

Estudos mais recentes realizados pela professora em parceria com outros pesquisadores a partir de dados coletados no Brasil, nos Estados Unidos e na Colômbia confirmaram que o contato direto com o tatu eleva em duas vezes as chances de a pessoa adquirir a doença em países endêmicos, em comparação a pessoas sem contato com o animal.

Segundo a professora, estima-se que, a cada sete doenças infecciosas, seis tenham hospedeiro também em outro animal, além do homem. Daí a importância de políticas públicas de prevenção que pensem o meio ambiente como um todo. Ela explica que vem daí o conceito de “saúde única” que está relacionado à busca de equilíbrio entre três pilares: o ambiente, o ser humano e os demais animais.

 

Texto: Sueli de Freitas
Edição: Thereza Marinho

 

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