Ufes lança Pacto pela Vida das Mulheres nesta terça, 24. Ação ocorrerá nos quatro campi

23/03/2026 - 19:13  •  Atualizado 24/03/2026 11:55
Texto: Sueli de Freitas     Edição: Thereza Marinho
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Foto de uma mulher com a mão em frente ao rosto. Na mão, o desenho de um X vermelho

Nesta terça-feira, 24, será lançada na Ufes a campanha Pacto Pela Vida das Mulheres, uma parceria do projeto de extensão Fordan - Cultura no Enfrentamento às Violência e a Pró-Reitoria de Políticas de Assistência Estudantil (Propaes). Numa ação simultânea realizada nos restaurantes universitários (RUs) dos quatro campi da Universidade, a partir das 11 horas, estudantes, técnicas, técnicos e docentes, além de outros usuários dos RUs, serão estimulados a refletir sobre a necessária proteção à vida das mulheres num momento em que feminicídios e outros episódios de violência assustam a sociedade brasileira. 

Segundo a coordenadora do Fordan, Rosely Pires, serão exibidos nos RUs e nas redes sociais vídeos com depoimentos de mulheres de organizações religiosas e civis, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) e Central Única dos Trabalhadores (CUT); representantes quilombolas e indígenas; professoras e gestoras da Ufes; lideranças do Diretório Central dos Estudantes (DCE), das técnicas-administrativas da Ufes e das trabalhadoras terceirizadas dos RUs; entre outras.

“O objetivo é dar um grito em defesa da vida das mulheres, mobilizando a comunidade interna e externa para se manifestar contra a misoginia, a violência em todas as suas formas e o feminicídio”, afirma Pires. Os cinco RUs da Ufes recebem, diariamente, cerca de 5,8 mil pessoas (em sua maioria estudantes de graduação e bolsistas).

Para Pires, a campanha, cujo lançamento já estava programado para esta terça-feira, ganha maior impacto diante do brutal assassinato da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, morta a tiros pelo ex-namorado e policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, nesta madrugada.  

“Há um aspecto simbólico, porque a Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal e tinha um forte trabalho de enfrentamento à violência contra a mulher. Mataram uma de nós. Os homens estão matando as lideranças, isso é simbólico. Foi também em março, mês do Dia Internacional da Mulher, que assassinaram a vereadora Mariele Franco, em 2018, no Rio de Janeiro. Eles estão cuspindo na cara da gente, não podemos aceitar isso”, disse Pires. 

A professora comparou o feminicídio ocorrido em Vitória ao que vitimou a policial militar Gisele Alves Santana, há pouco mais de um mês, em São Paulo. Ela foi morta pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. “Os dois tinham comportamentos machistas, com acesso ilimitado a armas. As mulheres que ocupam um lugar de poder e fazem o enfrentamento da violência viraram vítimas. Esse tipo de crime de agente de segurança pública que mata mulher agente de segurança pública precisa ser punido com maior rigor dentro da lei do feminicídio. São pessoas que são remuneradas para proteger, não matar. Não vão conseguir calar quem está fazendo a rede de proteção à mulher”, afirmou. 

Pacto nacional

A campanha Pacto pela Vida das Mulheres integra as ações nacionais do mês de março e está em consonância ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, uma ação conjunta dos Três Poderes e da sociedade para enfrentar a violência de gênero, com foco na redução da impunidade, na agilidade em medidas protetivas e na proteção de mulheres vulneráveis.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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