A Ufes deu as boas-vindas nesta quinta-feira, 20, aos 23 estudantes indígenas que ingressaram na Universidade no semestre 2026/2 por meio do edital de vagas suplementares para pessoas indígenas aldeadas em comunidades, publicado em junho deste ano. Trata-se da primeira oferta de vagas suplementares especificamente para esta etnia na Ufes.
Promovido pelas pró-reitorias de Graduação (Prograd), Bem-Estar Comunitário (Probem) e Políticas de Assistência Estudantil (Propaes), além da Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidade (Saad), o acolhimento aconteceu no auditório da Prograd, no campus de Goiabeiras, e foi transmitido pela Superintendência de Educação a Distância (Sead). O encontro contou com as presenças da vice-reitoria da Ufes, Sonia Lopes; da pró-reitora de Graduação, Regina Godinho; da pró-reitora de Bem-Estar Comunitário, Ana Paula Bittencourt; do pró-reitor de Políticas de Assistência Estudantil, Antonio Carlos Moraes; da superintendente de Educação a Distância, Ozirlei Marcilino; da secretária de Ações Afirmativas e Diversidade, Patrícia Rufino; do educador e líder Tupinikim Jocelino Quiezza; e de professores, técnicos-administrativos, estudantes e lideranças indígenas.
Na foto acima, alguns dos estudantes indígenas que ingressam na Ufes por meio do Programa.
Durante o evento, a vice-reitora da Ufes deu as boas-vindas aos estudantes e falou sobre permanência, inclusão e pertencimento na vivência universitária. Em seguida, cada pró-reitoria apresentou suas atribuições e principais atividades e esclareceu pontos importantes da vida acadêmica, entre períodos de matrícula, coeficiente, atividades complementares, restaurantes universitários, auxílios estudantis e assuntos relacionados.
Acolhida
Entre os 23 ingressantes por meio das vagas suplementares, há representantes de povos como os Tupinikim, Baniwa e Pankararu, vindos em sua maioria da aldeia Caieiras Velha, em Aracruz, mas também dos estados de Pernambuco e Amazonas. Caloura do curso de Psicologia, Anna Caroline Pereira disse que foi muito bem recebida pelos colegas de turma.
“Por ser uma mulher indígena fora do estereótipo, tive medo de ser reduzida, ser ‘colocada numa caixinha’. Mas, durante essas duas semanas de aula, vi que o curso é diverso. Os colegas e os professores foram muito abertos a conhecer meu povo”, disse a estudante. Ela, agora, pretende incentivar outras pessoas da sua aldeia, Caieiras Velha, a procurarem informações sobre os cursos na Ufes: “Vou levar essa vivência para eles, porque é fundamental buscar a profissionalização.”
Morando sozinho pela primeira vez e “na cidade grande”, o estudante de Engenharia Elétrica Luiz Filipe Siqueira, também oriundo de Caieiras Velha, já começou a se enturmar, apesar do receio inicial. “Antes de entrar, me falavam muito sobre o perigo de sofrer racismo. Mas aqui vi o contrário. Quando cheguei com minhas pinturas nos braços, fui acolhido pelas pessoas, já sabiam onde eu morava, de onde eu vinha”, disse.
Histórico
Lançado pela Prograd em junho de 2026, o edital de vagas suplementares para pessoas indígenas aldeadas em comunidades, que tenham concluído o ensino médio, ofertou uma vaga em cada curso presencial de graduação disponibilizado para essa seleção específica, com ingresso no segundo semestre deste ano.
A reserva de vagas para povos originários é resultado de um diálogo entre lideranças indígenas capixabas e a Reitoria da Ufes, iniciado em 2021, quando estudantes e líderes indígenas se reuniram com a gestão da Universidade para discutir o acesso e a permanência desses povos na Ufes. A partir desse encontro, foi constituído um Grupo de Trabalho com o objetivo de elaborar a proposta de instituir o Programa de Vagas Suplementares para Estudantes Indígenas, nos cursos de graduação presencial, por meio de processo seletivo específico.
Em 2024, foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) a Resolução n° 103/2024, instituindo o Programa. Já em junho de 2025, lideranças indígenas dos povos Guarani e Tupinikim se reuniram com a Reitoria e, a partir desse encontro, foi planejada a formação de um conselho consultivo para a execução das etapas do processo seletivo, formado por estudante indígena, liderança indígena indicada pela Associação Indígena Tupinikim Guarani, docente pesquisador do campo da educação indígena e representantes da Prograd e da Saad.
Fotos: Mariana Simões
Universidade Federal do Espírito Santo