Romper com estereótipos e afirmar a potência dos povos africanos, suas tecnologias ancestrais, sua diversidade cultural e suas contribuições históricas para o mundo contemporâneo. Esse é o papel do Dia de África, comemorado em 25 de maio e, este ano, a Ufes celebra a data em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), por meio do Programa QEmpreendedor.
A programação acontece nos campi de Goiabeiras e Maruípe, na Ufes, e no Centro Estadual de Educação Técnica (Ceet) Vasco Coutinho, em Vila Velha, onde nesta quarta-feira, 27, haverá uma aula show com jantar africano preparado pelo chef congolês Chez Kimberly. Ele servirá o prato Sekelembe - folha seca do Congo ao molho de amendoim, acompanhado de Fufu (ou Foufou), que é uma massa feita geralmente de mandioca, milho, inhame ou banana-da-terra cozida e pilada. O fufu funciona como acompanhamento principal, semelhante ao papel do arroz ou da farinha em algumas culinárias brasileiras.
Na quinta-feira, dia 28, um evento no auditório Rosa Maria Paranhos, no Centro de Ciências da Saúde (CCS, campus de Maruípe) discutirá o tema Saúde, bem-estar e inovação; e abrirá espaço para relatos de vivências africanas no Brasil. Para encerrar o evento, haverá um desfile de roupas e tecidos africanos.
Já no dia 29, sexta-feira, no auditório do prédio IC 2 (campus de Goiabeiras), palestras vão abordar os temas Ancestralidade em Movimento; e Diáspora, conhecimento e futuro. A programação contará ainda com relatos de vivências africanas no Brasil, oficinas, rodas de conversa e um desfile de roupas e tecidos africanos.
Veja aqui a programação completa.
O tema deste ano do Dia de África na Ufes - A África que a gente quer: potências e possibilidades. Ancestralidade em movimento e o futuro que já começou - foi construído coletivamente pela Liga dos Universitários Africanos (Lua), dialogando com os desafios atuais das populações afro-diaspóricas, com as juventudes negras, com as tecnologias sociais e com a necessidade da projeção futuros justos e plurais. “Buscamos apresentar uma África moderna, inovadora, criativa e conectada aos debates sobre ciência, educação, tecnologia, arte, sustentabilidade e justiça social”, completa a secretária de Ações Afirmativas e Diversidade, Patrícia Rufino.
Avanços e desafios
As primeiras celebrações do Dia de África na Ufes datam de 2007, com a ativação de programas e projetos através do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), onde foram recebidas as primeiras solicitações de matrículas de estudantes africanos. De lá pra cá, a Universidade vem fortalecendo ações voltadas às relações étnico-raciais, às ações afirmativas e à valorização das africanidades. Atualmente, estudam nos cursos de graduação e pós-graduação alunos e alunas de Angola, Benin, Gabão, Camarões, Cabo Verde, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Congo Brazzaville, Quênia, Gana, Guiné Equatorial, Guiné Bissau, Moçambique, Malawi, Nigéria e Senegal.
Ao avaliar a situação da população afro-diaspórica brasileira, ressalta Rufino, é importante reconhecer os avanços conquistados nas últimas décadas, entre eles, marcos legais como a Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana; o Estatuto da Igualdade Racial e a política de cotas no ensino superior e nos concursos públicos.
“Existem muitos desafios estruturais no Brasil, que dialogam diretamente com este silenciamento histórico. A desigualdade racial permanece evidente nos indicadores de renda, violência, acesso à saúde, permanência estudantil, mercado de trabalho e ocupação de espaços de poder. Muitas vezes, as legislações avançam mais rapidamente do que as mudanças culturais e institucionais necessárias para garantir sua plena efetivação”, opina.
Ainda na visão de Rufino, o país convive com práticas de racismo institucional, invisibilização de saberes negros e dificuldades na implementação das políticas de equidade, o que torna urgente a discussão sobre permanência, pertencimento, desenvolvimento acadêmico, saúde mental, internacionalização inclusiva, produção científica negra e participação efetiva das populações afro-diaspóricas nos espaços de decisão.
“Neste contexto, celebrar o Dia de África é reafirmar um compromisso ético, político e educacional com a construção de uma sociedade mais democrática, plural e antirracista”, pontua Rufino.
Universidade Federal do Espírito Santo