A manhã desta sexta-feira, 27, marcou o relançamento do aplicativo produzido pelo Fordan: cultura no enfrentamento às violências, programa de pesquisa e extensão da Ufes que atua no enfrentamento às violências de gênero contra mulheres, especialmente negras e periféricas. A ferramenta, que é gratuita e antes só estava disponível para moradoras do bairro São Pedro (em Vitória), foi reformulada e, partir de agora, poderá ser utilizada por todas as mulheres, cis e trans, que residem no Espírito Santo e possuam celulares Android. Para baixar, basta buscar por Fordan/Ufes na Play Store.
O relançamento foi realizado no laboratório do Fordan/Ufes, no campus de Goiabeiras. Participaram o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro; o pró-reitor de Políticas de Assistência Estudantil, Antônio Carlos Moraes; o defensor chefe da Defensoria Pública da União no Espírito Santo, Antônio Ernesto de Fonseca; o defensor público coordenador da Central de Atendimento Remoto da Defensoria Pública do Espírito Santo, Vitor Valdir Ramalho; as representantes da deputada federal Jack Rocha (PT) Elcimara Loureiro e Rúbia Altoé; a fundadora e coordenadora-geral do Fordan/Ufes, Rosely Pires; e demais integrantes da equipe que compõem o projeto. O encontro contou ainda com a participação remota das lideranças que conduziram os testes do aplicativo em suas comunidades.
Durante a primeira semana de acessos, foi feito um monitoramento dos cadastros efetuados por 11 grupos de mulheres convidadas: quilombolas, camponesas, indígenas, acolhidas no Fordan São Pedro, lideranças de movimentos de mulheres, atletas do futebol feminino, lideranças sindicais, advogadas, professoras, gestoras e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e estudantes do Projeto LabGIRLS, do Centro Tecnológico da Ufes.
Nesse período, foram criadas 74 contas, sendo que 89% dos acessos foram feitos por mulheres cis. As pardas foram as que mais acessaram a plataforma (14), seguidas das pretas (10) e das brancas (7). Outro dado coletado foi o nível de escolaridade, a ferramenta foi acessada prioritariamente por mulheres que possuem ensino superior completo (20), ensino médio (6), doutorado (5) e ensino superior incompleto (2). No que diz respeito à distribuição por cidades, Vitória saiu na frente, com 27 acessos.
“Nesses acessos, foi demonstrado que elas conseguiram fazer login, colocar os dados e já estão começando a solicitar medidas protetivas e pensão por alimentos, todas as funcionalidades estão funcionando normalmente e o aplicativo está chegando nos lugares que mais nos preocupa, que é onde mais as mulheres estão sendo assassinadas. Esse primeiro momento foi muito satisfatório. A gente já percebeu que é possível impactar a comunidade externa através de ações específicas, a gente vai nessa linha”, pontuou Rosely Pires.
Segurança dos dados
Para garantir a segurança e a confidencialidade dos dados sensíveis, tanto o servidor da aplicação quanto o sistema de gerenciamento de banco de dados relacional (SGBD) foram implantados na infraestrutura fornecida pela Ufes, dentro do datacenter próprio. De acordo com o reitor, a Universidade possui um sistema de proteção altamente eficaz.
“Nós estamos tratando de uma questão que é extremamente sensível, que é a violência contra a mulher, e a gente sabe que, ao não garantir o sigilo, nós estamos tornando mais vulneráveis ainda aquelas mulheres que são vítimas de violência. Então, a segurança dos dados é extremamente importante dentro desse processo. A violação do sigilo pode comprometer todo o programa e tudo aquilo que nós não queremos, que é a proteção da mulher. Essa segurança a gente garante”, destacou.
Ele ainda ressaltou que o apoio institucional é imprescindível a projetos que combatam as violências de gênero, apoio este que se dá com a criação de protocolos e a viabilização de ações. “Essa Administração vem no sentido da criação de protocolos, na busca de parcerias e de recursos, para nós viabilizarmos o combate à violência de gênero. O Fordan é um exemplo claro de como a nossa academia está preocupada com esse tema”, reforçou.
Sobre o aplicativo
O aplicativo "Fordan/Ufes para denúncias das violências contra mulheres" foi lançado pela primeira vez em setembro de 2023 como meio de denúncia das violências às quais as mulheres são submetidas. A iniciativa foi viabilizada por meio do edital Mulheres da Ciência, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). O desenvolvimento do software ficou a cargo de pesquisadores e estudantes da Ufes de áreas como direito, informática, saúde, psicologia, educação e cultura, com a participação ativa de 57 mulheres acolhidas pelo programa e suas famílias.
O acolhimento, que inicialmente era voltado para mulheres negras periféricas, passou a beneficiar também mulheres com deficiência, quilombolas, indígenas, do campo, transexuais, travestis, entre outros grupos invisibilizados, em uma perspectiva de interseccionalidade. Dentre as funcionalidades da plataforma, estão pedido de medida protetiva de urgência e petição para ação de alimentos (pensão alimentícia).
Ao se cadastrar, cada mulher registra seu perfil completo: onde está, como se autodeclara e qual é a sua rede de apoio. Coletadas essas informações, o projeto entra na fase de organização, sistematização e análise dos dados, por meio de um observatório comporto por pesquisadoras da Ufes e de universidades parceiras.
Universidade Federal do Espírito Santo