Estão abertas as matrículas para a primeira oferta formativa do governo federal sobre Promoção da Saúde e da Dignidade Menstrual. A oferta é uma iniciativa do Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), a Ufes e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com o objetivo de contribuir para a promoção da saúde e da dignidade menstrual nos territórios, como uma questão de direitos fundamentais.
Podem se matricular, por meio deste link, profissionais da saúde, da educação, gestoras e gestores, estudantes, lideranças comunitárias e todas as pessoas interessadas na temática. Com carga horária de 45 horas, o curso é gratuito e integra as ações do Programa de Promoção e Proteção da Saúde e da Dignidade Menstrual, que assegura a oferta gratuita de absorventes por meio do Programa Farmácia Popular do Brasil e desenvolve ações de educação em saúde menstrual para agentes públicos, profissionais de saúde e a população em geral, com o compromisso de enfrentar estigmas, combater a desinformação e afirmar a dignidade como política pública.
A professora do Departamento de Enfermagem da Ufes Leila Massaroni, que representou a Ufes na UNA-SUS até dezembro de 2025, participou da estruturação do curso juntamente com o representante da Superintendência de Ensino a Distância (Sead/Ufes) Mauro Pantoja. Ela registrou que, da Ufes, participaram da elaboração da formação sete profissionais de designer da Sead e duas docentes da área materno-infantil do curso de Enfermagem.
"Esse foi um trabalho desenvolvido a várias mãos com profissionais competentes e comprometidos com a saúde pública. Participar da estruturação desse curso foi uma experiência enriquecedora. Ao longo dessa construção, a equipe participante teve a oportunidade de discorrer sobre conhecimentos não apenas dos aspectos biológicos da menstruação, mas também sobre as dimensões sociais, culturais e emocionais que envolvem esse tema pouco discutido. Um dos pontos mais importantes foi compreender como o acesso à informação e a produtos adequados ainda é desigual, e como isso impacta diretamente a vida, a autoestima e as oportunidades de muitas pessoas. Discutir dignidade menstrual é, acima de tudo, falar de direitos, inclusão e respeito", destacou a professora.
Desde janeiro deste ano, a representação da Ufes na UNA-SUS é feita pelas professoras do Departamento de Enfermagem Luciana Nascimento e Márcia Almeida.
Sobre o curso
O curso Promoção da Saúde e da Dignidade Menstrual está estruturado em quatro módulos que estimulam o debate sobre diferentes dimensões da saúde menstrual a partir de uma perspectiva ampliada de direitos. Ao longo do percurso, são abordadas as concepções históricas e culturais relacionadas à menstruação, o ciclo menstrual, as tecnologias menstruais disponíveis em interface com o Programa Dignidade Menstrual no Brasil, além das realidades de populações do campo, da floresta e das águas, e de grupos historicamente vulnerabilizados.
A formação reafirma a saúde menstrual como um tema fundamental para a promoção da equidade, consolidando-se como um campo legítimo de atuação tanto do Estado quanto da sociedade.
Também são apresentadas reflexões fundamentais sobre diversidade, vulnerabilidade social, precariedade menstrual e os impactos concretos dessas desigualdades na vida de quem menstrua. Ao trazer esses temas para o centro da formação, o curso contribui para romper invisibilidades históricas e consolidar uma agenda pública comprometida com equidade e justiça social.
O conteúdo inclui ainda possibilidades de ações territoriais pensadas para a promoção da saúde menstrual, incentivando o compartilhamento de experiências e a construção coletiva de soluções em rede. O intuito é fortalecer práticas enraizadas nos territórios, reconhecendo saberes locais e impulsionando respostas concretas às desigualdades que atravessam o cotidiano.
Para além de qualificar profissionais, estudantes, equipes da saúde, da educação e lideranças comunitárias para os aspectos fisiológicos da menstruação, a formação almeja um movimento mais profundo: estimular a reflexão crítica sobre os processos de trabalho e as práticas nos territórios. A proposta é que trabalhadoras e trabalhadores do SUS, da educação e da comunidade ampliem sua habilidade de reconhecer e responder, de forma integral e comprometida, às necessidades relacionadas à saúde menstrual, enfrentando estigmas, desigualdades e barreiras, e fortalecendo práticas de cuidado, educação e promoção da saúde como expressão concreta de direitos.
Universidade Federal do Espírito Santo